A visita de Deus a Abraão, a intercessão e a destruição de Sodoma

Nos carvalhos de Mambré, o Senhor apareceu a Abraão sob a figura de três homens (Gn 18,1-2). Abraão os recebeu com hospitalidade e, durante a visita, ouviu a promessa de que Sara, apesar da idade avançada, teria um filho. Ao escutar o anúncio, Sara riu secretamente, pois considerava impossível voltar a ser mãe. Deus, porém, reafirmou sua promessa, mostrando que nada é impossível para Ele.

A presença dos três visitantes tornou-se, na tradição cristã, uma imagem associada ao mistério da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Embora o texto bíblico não afirme explicitamente que os três homens sejam as três Pessoas divinas, essa interpretação simbólica foi consagrada na arte e na espiritualidade cristãs.

Depois, quando o Senhor revelou a gravidade dos pecados de Sodoma e Gomorra, Abraão intercedeu pelos habitantes daquelas cidades. Preocupado com a possibilidade de os justos serem destruídos juntamente com os ímpios, perguntou se Deus pouparia a cidade caso nela fossem encontrados cinquenta justos. Em um diálogo marcado pela humildade e pela confiança, reduziu gradualmente o número até chegar a dez, e Deus respondeu que pouparia a cidade se encontrasse ao menos dez justos (Gn 18,22-33). O episódio revela a confiança de Abraão na justiça e na misericórdia divinas, além de sua preocupação com o destino dos outros.

Naquela mesma tarde, dois anjos chegaram a Sodoma e foram acolhidos por Ló, sobrinho de Abraão. Antes que se deitassem, os homens da cidade cercaram a casa e exigiram que os visitantes fossem entregues a eles para serem violentados. Ló tentou protegê-los, mas a multidão se voltou também contra ele. Os anjos, então, puxaram Ló para dentro e feriram os agressores com cegueira.

Diante da gravidade dos pecados da cidade, os anjos anunciaram sua destruição e ordenaram que Ló reunisse seus familiares e fugisse. Seus genros, porém, não acreditaram no aviso. Ao amanhecer, os anjos conduziram Ló, sua mulher e suas duas filhas para fora da cidade, advertindo-os de que não olhassem para trás. A pedido de Ló, permitiram que se refugiassem em Segor, uma cidade pequena. Em seguida, o Senhor fez cair fogo e enxofre sobre Sodoma, Gomorra e toda a região. A mulher de Ló, ao olhar para trás, transformou-se em uma estátua de sal.

Abraão contemplou de longe a fumaça que subia da planície. O relato afirma que Deus salvou Ló, lembrando-se de Abraão. Mais tarde, já refugiados em uma caverna nas montanhas, as duas filhas de Ló, temendo não ter descendência, embriagaram o pai e tiveram relações com ele, sem que ele percebesse. Ambas engravidaram: a mais velha deu à luz Moab, antepassado dos moabitas, e a mais nova deu à luz Ben-Ami, antepassado dos amonitas, dois povos que posteriormente habitariam regiões a leste do rio Jordão.

Esses episódios reúnem temas fundamentais da narrativa bíblica: a fidelidade de Deus às suas promessas, a importância da justiça e da retidão, o poder da intercessão e as consequências do pecado. Abraão aparece como um homem de fé que confia na misericórdia divina e intercede pelos outros, enquanto a destruição de Sodoma apresenta o julgamento de uma sociedade marcada pela violência e pela corrupção. A salvação de Ló, por sua vez, mostra que, mesmo em meio ao julgamento, a narrativa destaca a misericórdia de Deus e a importância da relação de Abraão com o Senhor.