O nascimento de Isaac, a partida de Agar e a aliança em Bersabeia

Abraão partiu para a região do Negueb e estabeleceu-se em Gerara, onde o rei Abimelec tomou Sara para si, pois Abraão havia afirmado que ela era sua irmã. Deus, porém, apareceu ao rei em sonho e o advertiu de que aquela mulher era casada. Abimelec, que ainda não havia tocado em Sara, defendeu sua inocência, explicando que agira por desconhecer a verdade. Deus reconheceu sua boa-fé, mas ordenou que devolvesse Sara, pois Abraão era profeta e intercederia por ele. Ao amanhecer, Abimelec repreendeu Abraão por tê-lo exposto a tamanho perigo. Abraão justificou-se dizendo que temia ser morto por causa de sua mulher. Por fim, o rei devolveu Sara, ofereceu presentes ao casal e permitiu que Abraão habitasse onde desejasse. Abraão orou a Deus, que curou Abimelec, sua mulher e suas servas, permitindo que voltassem a ter filhos.

No tempo anunciado por Deus, Sara concebeu e deu à luz Isaac, quando Abraão tinha cem anos. O menino recebeu esse nome conforme a ordem divina e foi circuncidado aos oito dias de vida. Sara reconheceu que Deus lhe havia concedido uma alegria inesperada, pois ela se tornara mãe apesar da idade avançada. Quando Isaac cresceu e foi desmamado, Abraão organizou uma grande festa. Entretanto, Sara percebeu que Ismael, filho de Abraão com Agar, zombava de Isaac e pediu que Abraão expulsasse a escrava e seu filho, para que Ismael não compartilhasse a herança com Isaac.

Abraão ficou profundamente entristecido, pois também amava Ismael. Deus, porém, disse-lhe que atendesse ao pedido de Sara, esclarecendo que a descendência da aliança prosseguiria por Isaac, mas que também faria de Ismael uma grande nação. Na manhã seguinte, Abraão deu pão e água a Agar e a despediu com o menino. Perdidos no deserto de Bersabeia, os dois ficaram sem água. Desesperada, Agar deixou Ismael sob um arbusto e afastou-se, pois não suportava vê-lo morrer. Deus, contudo, ouviu o choro do menino, e um anjo chamou Agar, ordenando-lhe que se levantasse e o amparasse. Deus abriu-lhe os olhos, permitindo que encontrasse um poço. Ismael sobreviveu, cresceu no deserto de Farã, tornou-se hábil flecheiro e, mais tarde, sua mãe lhe escolheu uma esposa egípcia.

Naquele período, Abimelec procurou Abraão, acompanhado de Ficol, comandante de seu exército, reconhecendo que Deus estava com ele em tudo o que fazia. Os dois estabeleceram um acordo de confiança e paz. Abraão, porém, reclamou de um poço que os homens do rei haviam tomado à força. Abimelec afirmou desconhecer o ocorrido, e ambos resolveram a questão por meio de uma aliança. Abraão ofereceu animais como testemunho do acordo e separou sete ovelhas para confirmar seu direito sobre o poço que havia cavado. Por isso, o lugar recebeu o nome de Bersabeia, associado ao juramento realizado entre eles. Ali, Abraão plantou uma tamareira e invocou o nome do Senhor, Deus eterno, permanecendo por muito tempo naquela região.

Os acontecimentos mostram a fidelidade de Deus à promessa feita a Abraão, cumprida no nascimento de Isaac, herdeiro da aliança. Ao mesmo tempo, revelam que Ismael também não foi abandonado: Deus ouviu seu clamor e prometeu fazer dele uma grande nação. A narrativa destaca, assim, a providência divina, a importância da descendência prometida e a capacidade de Abraão de estabelecer acordos de paz mesmo em meio aos conflitos.