Introdução ao Gênesis

O Gênesis, termo grego que significa “origem” ou “começo”, corresponde ao hebraico Bereshit, “no princípio”. O livro trata da origem do universo e da humanidade, da queda do homem e da promessa de redenção, que, na interpretação cristã, aponta para Jesus Cristo e se desenvolve na história do povo escolhido por Deus.

O livro do Gênesis é tradicionalmente atribuído a Moisés e integra o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia, que correspondem à Torá judaica. A Igreja Católica recebeu esses escritos da tradição bíblica de Israel, preservando-os integralmente como parte das Sagradas Escrituras.

O Novo Testamento, tanto nos Evangelhos quanto nas cartas apostólicas, remete frequentemente ao Antigo Testamento e ao Gênesis. O próprio Jesus faz referência a esses escritos, reafirmando sua importância. Afinal, Jesus Cristo nasceu no povo judeu, cuja tradição religiosa tem na Torá um de seus fundamentos.

A Igreja, ao longo de seus dois milênios de história, especialmente nos primeiros séculos e nos escritos dos Padres e Doutores da Igreja, interpretou o Gênesis à luz de Jesus Cristo. Essa interpretação não surgiu de maneira isolada, mas fundamentou-se nos ensinamentos do próprio Cristo, que se apresentou como o Messias e reconheceu as Escrituras como testemunho do desígnio de Deus.

O cristão católico deve compreender o Gênesis como parte da Revelação divina, que manifesta o plano real de Deus para a criação e a humanidade, e não simplesmente como um conjunto de histórias fictícias. Pio XII, na encíclica Humani Generis (1950), afirmou que os primeiros onze capítulos se referem à história em verdadeiro sentido, embora empreguem linguagem simples e figurativa. O Catecismo também ensina que a criação, a santidade original e a queda são realidades fundamentais da fé, expressas em parte por meio de linguagem simbólica (CIC 337, 362, 375 e 390).

Feita essa introdução, passaremos à análise dos capítulos do Gênesis, examinando seus relatos, acontecimentos e personagens, bem como seus significados teológicos e sua relação com o plano de salvação de Deus, que encontra sua plenitude em Jesus Cristo.