Depois da morte de Abraão, a história da promessa não terminou. Ela continuou em sua descendência, passando primeiro por Isaac e, depois, por Jacó. A família dos patriarcas ainda vivia como um clã de pastores, deslocando-se pelas terras de Canaã, habitando em tendas e conduzindo seus rebanhos de um lugar para outro. Era uma existência marcada pela simplicidade, pela vida familiar e pela confiança na promessa recebida de Deus.
Isaac, filho da promessa, casou-se com Rebeca. Durante muitos anos, porém, ela permaneceu estéril. Isaac rezou por sua esposa, e Deus ouviu sua oração. Rebeca concebeu e deu à luz dois filhos gêmeos: Esaú e Jacó. Desde o ventre, os dois pareciam destinados a caminhos diferentes, pois lutavam entre si. O Senhor revelou a Rebeca que de seus filhos nasceriam dois povos e que o mais velho serviria ao mais novo.
Esaú, o primeiro a nascer, tornou-se caçador e homem do campo. Jacó, mais ligado à vida junto às tendas, era de natureza diferente. Certo dia, Esaú voltou da caça exausto e pediu ao irmão um prato de comida. Jacó aproveitou-se da situação e exigiu, em troca, o direito de primogenitura. Esaú aceitou. Mais tarde, com a ajuda de Rebeca, Jacó também recebeu de Isaac a bênção destinada ao primogênito, enganando o pai já velho e quase cego. O episódio provocou a ira de Esaú, e Jacó precisou partir para longe.
Durante a fuga, Jacó teve uma experiência decisiva. Ao passar a noite no caminho, adormeceu com uma pedra por travesseiro e sonhou com uma escada que ligava a terra ao céu. No alto estava Deus, que confirmou a ele a promessa feita a Abraão e Isaac: sua descendência seria numerosa e receberia aquela terra. Ao despertar, Jacó reconheceu naquele lugar a presença de Deus, ergueu a pedra como sinal e chamou aquele lugar de Betel, a casa de Deus.
Jacó chegou então à região de Harã, onde vivia seu tio Labão. Ali conheceu Raquel e se apaixonou por ela. Para poder casar-se com a jovem, trabalhou durante anos para Labão, mas acabou sendo enganado pelo próprio sogro e recebeu Lia como esposa antes de Raquel. Ao longo de vinte anos, Jacó constituiu uma grande família e acumulou numerosos rebanhos.
A relação com Labão tornou-se cada vez mais difícil, e Jacó decidiu retornar à terra de seus pais. Partiu com suas mulheres, seus filhos e seus rebanhos. No caminho, porém, soube que Esaú vinha ao seu encontro com quatrocentos homens. O medo tomou conta de Jacó. Depois de tantos anos, teria chegado finalmente o momento de enfrentar o irmão que havia enganado?
Foi então, durante a noite, junto ao rio Jaboc, que ocorreu um dos episódios mais misteriosos da história dos patriarcas. Jacó lutou com um ser divino até o amanhecer. Ferido na luta, não deixou de pedir uma bênção. E recebeu um novo nome: Israel, porque havia lutado com Deus e com os homens e perseverado. A partir daquele momento, a história de Jacó assumiria um novo significado.
Ao encontrar Esaú, porém, aquilo que Jacó mais temia não aconteceu. Os irmãos se reconciliaram. Jacó continuou sua caminhada pela terra de Canaã e estabeleceu-se inicialmente em Siquém. Depois de um grave conflito envolvendo sua filha Dina e os habitantes da cidade, o clã deixou aquele lugar e seguiu novamente seu caminho. Passou por Betel e pelas regiões do sul, até retornar à região de Hebron.
Durante essa jornada, Raquel deu à luz seu último filho. O parto lhe custou a vida. Ela chamou o menino de Benoni, “filho da minha dor”, mas Jacó mudou seu nome para Benjamim, “filho da mão direita”. Assim nasceu aquele que seria o último dos filhos de Jacó e daria origem à décima segunda tribo de Israel.
Jacó voltou finalmente a Hebron, onde encontrou seu pai Isaac. Depois da morte de Isaac, seu corpo foi sepultado na caverna de Macpela, junto aos antepassados. A história dos patriarcas chegava, assim, a uma nova etapa. Abraão havia recebido a promessa; Isaac a havia recebido como herança; e Jacó, transformado em Israel, tornara-se pai das tribos que formariam o povo de Israel.
A história desses homens é marcada por fé, conflitos familiares, erros, enganos, sofrimento e encontros com Deus. A promessa divina, porém, atravessa todas essas circunstâncias. Não é uma história de homens perfeitos, mas de uma família conduzida ao longo das gerações, até que aquilo que começara com Abraão se transformasse, em Jacó, na origem de um povo.
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