A providência que conduz a história

Há cerca de quatro mil anos, Deus fez a Abraão uma promessa: “Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome” (Gn 12,1). Pode-se questionar o relato, discutir suas circunstâncias históricas ou até mesmo duvidar de sua origem divina. Mas uma coisa é inegável: os acontecimentos que se seguiram fizeram da descendência de Abraão um dos grandes eixos da história religiosa da humanidade. Seria tudo apenas coincidência? Uma sucessão de acontecimentos independentes que, ao longo dos séculos, por acaso convergiram para produzir consequências tão profundas? Ou estaríamos diante de algo maior: a realização de uma promessa e a manifestação concreta da vontade de Deus na história? Para a fé católica, a resposta não está no acaso, mas na Providência. Deus entra na história, chama um homem, faz-lhe uma promessa e, sem destruir a liberdade humana, conduz os acontecimentos segundo o seu desígnio de salvação. Abraão não podia enxergar naquele momento o alcance de sua resposta. Não podia saber que de sua descendência surgiria o povo de Israel, que de Israel viriam os Profetas e que, na plenitude dos tempos, nasceria o Messias. Não podia saber que, em Cristo, a bênção prometida por Deus alcançaria todos os povos. Abraão simplesmente acreditou e partiu. E é justamente aí que começa uma das grandes histórias da humanidade: a história de um homem que respondeu à voz de Deus sem conhecer todo o caminho que teria pela frente. Quatro mil anos depois, permanece uma pergunta: estamos diante de uma extraordinária sequência de acontecimentos fortuitos ou diante da marca de uma vontade que atravessa a história? Para o cristão, a resposta é profundamente maior. Não estamos apenas diante da história de um homem que acreditou em Deus, mas diante de Deus conduzindo a história por meio da fé e da resposta de um homem. A promessa feita a Abraão não terminou com Abraão. Ela atravessou os séculos, passou por Israel, pelos Patriarcas e pelos Profetas, chegou à sua plenitude em Jesus Cristo e, n’Ele, continua alcançando a humanidade.